Minha pesquisa artística investiga os modos contemporâneos de habitar o mundo a partir de três eixos que se conectam e se desdobram mutuamente.
O ponto de partida está nos absurdos do habitar urbano. Em séries como Aluga-se, observo os vestígios deixados por anúncios, fachadas, janelas e deslocamentos, revelando as contradições, precariedades e desejos que atravessam a vida nas cidades. Interessa-me compreender como decisões individuais, econômicas e culturais se acumulam para produzir a paisagem coletiva que habitamos.
Entre a cidade e a floresta surge um território de transição. Em séries como Territórios Portáteis, formas geométricas, arquitetônicas e racionais começam a perder rigidez e a se contaminar por processos orgânicos. Esses trabalhos investigam estados intermediários, nos quais fronteiras entre construção e natureza, permanência e transformação, começam a se dissolver.
O horizonte da pesquisa encontra-se em trabalhos como Symbiosis, que propõem uma reflexão sobre a interdependência entre corpos, territórios e sistemas vivos. Neles, o ser humano deixa de ocupar uma posição central para ser compreendido como parte de uma rede mais ampla de relações. Ao invés da separação, a coexistência. Ao invés do domínio, a reciprocidade.
Embora possam ser percebidos como conjuntos distintos, esses três eixos constituem diferentes momentos de uma mesma investigação: uma trajetória que parte da fragmentação, atravessa a metamorfose e busca imaginar formas mais integradas de existência.
Esses eixos não constituem etapas sucessivas nem uma evolução linear. Eles coexistem, se contaminam e se retroalimentam continuamente, aparecendo com maior ou menor intensidade em cada série.


